Bancos esperam que o crédito esfrie lentamente em 2026 e corte da Selic só em março

Expectativa de Crescimento do Crédito em 2025

A pesquisa realizada pela Febraban, a Federação Brasileira de Bancos, revela que a maioria das instituições financeiras acredita que a carteira de crédito total em 2025 apresentará um crescimento de 9,2%. Essa expectativa reflete um cenário mais otimista em relação ao que foi projetado anteriormente, onde a alta esperada era de 8,9%.

Esse crescimento é substancialmente impulsionado pelo crédito direcionado, que deverá ter uma projeção de crescimento que subiu de 10,1% para 10,9%. Isso indica que os bancos estão confiantes na recuperação da economia e no aumento da demanda por crédito, especialmente nas modalidades que atendem a pessoas jurídicas (PJs).

Para as famílias, a expectativa de crescimento no crédito habitacional é igualmente positiva, projetando um aumento de 8,7% em 2025. Essa resiliência é crucial, pois mostra que, apesar de um ambiente econômico desafiador, as famílias continuam buscando opções de crédito.

crédito em 2026

O crédito para empresas é visto como um motor fundamental para o crescimento econômico, pois as pequenas e médias empresas (MPMEs) são essenciais para a geração de empregos e desenvolvimento econômico no Brasil. Portanto, esse aumento nas expectativas de crédito é um sinal otimista para a recuperação econômica do país.

Desaceleração da Carteira de Crédito em 2026

Apesar do crescimento esperado em 2025, as previsões para 2026 indicam uma desaceleração gradual da carteira de crédito. Os analistas acreditam que, neste ano, o saldo total de crédito venha a crescer apenas 8,2%. Esta desaceleração é um reflexo das condições do mercado financeiro e do ambiente econômico global.

O fato de uma parte significativa dos analistas (73,7%) prever essa desaceleração é indicativo de que os bancos estão se preparando para um cenário de maior cautela em relação ao fornecimento de crédito. Isso pode estar relacionado a potenciais mudanças na taxa Selic e a um ambiente econômico mais restritivo.

Entretanto, é importante ressaltar que, mesmo com essa desaceleração, o crescimento permanece acima de índices considerados normais, o que pode ser um indicativo de uma economia que, embora mais lenta, ainda está em recuperação e apresentando sinais positivos.

Análise da Pesquisa da Febraban

A pesquisa da Febraban, realizada com 20 bancos, é um termômetro importante das expectativas do setor financeiro para o futuro. Os dados coletados têm grande relevância, pois mostram não apenas os anseios dos bancos, mas também oferecem uma visão sobre o comportamento econômico das empresas e das famílias.

Os resultados indicam que o crédito direcionado continuará sendo um setor robusto, com uma alta expectativa para o segmento de pessoas jurídicas, que, segundo as previsões, deverá crescer a 15,3% em 2026. Esse crescimento é apoio de programas governamentais e de um ambiente de negócios que está se adaptando às novas realidades.

Além disso, a pesquisa também revelou um aumento nas expectativas de crescimento da carteira livre, passando de 7,4% para 7,6%, o que sinaliza uma confiança renovada nas condições de mercado. As instituições estão otimistas em relação ao papel que o crédito pode desempenhar na recuperação econômica.

Projeção do Crescimento do Crédito Direcionado

O crédito direcionado é uma preocupação central nas análises da Febraban. Com bases de comparação elevadas, o setor de pessoas jurídicas deve encerrar 2025 com uma alta superior a 15%. Esse número é crucial porque muitas PMEs dependem do crédito para se manterem operacionais e competitivas.

Um aspecto interessante é que o direcionamento do crédito está se tornando cada vez mais específico, atendendo segmentos que mais precisam como as MPMEs, que representam uma fatia significativa da economia brasileira. O apoio do governo em programas de financiamento é fundamental para garantir que essas empresas consigam prosperar.

A tendência é que o crédito direcionado se mantenha como uma estratégia vital não apenas para sustentar a economia em tempos difíceis, mas também para potencializar o crescimento uma vez que a situação financeira global melhore.

Impacto das Condições Financeiras no Crédito

As condições financeiras são uma força motriz que impacta diretamente o crescimento do crédito. Fatores como a taxa Selic, níveis de inadimplência e a confiança do consumidor desempenham papéis cruciais na decisão dos bancos de conceder crédito.

O cenário apresentado mostra que a Selic deve permanecer em 15% ao ano até pelo menos março de 2026, com uma expectativa de início de cortes na taxa a partir desse período. A manutenção dessa taxa elevada tem um impacto direto no custo do crédito. Os bancos precisam levar em conta não apenas o custo do dinheiro, mas também o nível de risco associado ao financiamento.

Um aumento na inadimplência é um ponto de preocupação, com uma projeção de 5,2% para 2026. Isso implica que mais de 5% dos tomadores de crédito podem não honrar suas dívidas, o que leva os bancos a serem mais cautelosos na concessão de novos financiamentos. Este cenário pode criar um ambiente difícil, especialmente para os novos empreendedores.

Expectativas para a Taxa Selic em 2026

As expectativas para a taxa Selic em 2026 são um tópico central entre os analistas financeiros. A pesquisa da Febraban indica que cerca de 70% dos bancos acreditam que a taxa começará a cair somente na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de março. Essa expectativa é fundamental, pois os cortes na Selic podem impulsionar a atividade econômica ao tornar o crédito mais acessível.

As previsões de que os cortes serão gradual refletem uma abordagem cautelosa em um cenário ainda volátil, onde a inflação e outros fatores econômicos não estão completamente sob controle. A sustentabilidade dos cortes na Selic dependerá da evolução da inflação, que muitos participantes da pesquisa acreditam que permanecerá acima da meta.

Um corte bem-sucedido na Selic poderia melhorar a perspectiva econômica, estimulando tanto o consumo por parte das famílias quanto o investimento por parte das empresas, podendo assim criar um círculo virtuoso de crescimento e recuperação econômica.

Inflação e Suas Implicações para o Crédito

A inflação é outro aspecto crítico que influencia diretamente as expectativas para o crédito. De acordo com a pesquisa, cerca de 50% dos analistas acreditam que a inflação permanecerá acima da meta em 2026, em grande parte devido a estímulos fiscais e condições de crédito amplas.

A alta nas taxas de inflação impacta o poder de compra do consumidor e pode levar os bancos a ajustarem suas estratégias de crédito. Se a inflação continuar alta, os bancos podem se inclinar a aumentar as taxas de juros dos empréstimos, tornando o crédito mais caro e, portanto, reduzindo a demanda.

Esse cenário pode trazer desafios significativos para as famílias e empresas que buscam financiamento. Em um ambiente onde o crédito já é considerado caro, a combinação de alta inflação e juros elevados pode desestimular investimentos e o consumo, prolongando a recuperação econômica.

Mudanças nas Projeções da Atividade Econômica

As projeções da atividade econômica em 2026 mostram um leve otimismo entre os analistas. O percentual de especialistas que esperam um crescimento de 1,8% para o ano aumentou de 36,4% para 55%. Este dado indica uma crescente confiança no potencial de recuperação da economia.

As melhorias nas expectativas estão ligadas ao histórico de crescimento moderado observado em 2025. A possibilidade de um ciclo de cortes na Selic também auxilia na construção de uma perspectiva mais otimista.

Entretanto, os analistas que prevêem um crescimento abaixo do esperado caíram de 45,5% para 30%, demonstrando que as incertezas continuam presentes, principalmente relacionadas a fatores externos e políticas econômicas que podem afetar o desempenho do mercado.

Meta Fiscal e Desafios do Governo

A meta fiscal de 2026 é um tópico delicado que requer atenção significativa por parte do governo. Embora ninguém espere que o governo descumpra a meta, a maioria acredita que medidas adicionais serão necessárias para cumpri-la. Aproximadamente 80% dos entrevistados da pesquisa afirmam que o governo precisará implementar ações voltadas principalmente ao controle de despesas.

As possíveis estratégias incluem bloqueios orçamentários e reavaliações de compromissos fiscais. Essa realidade ressalta a importância de um gerenciamento fiscal responsável para garantir a estabilidade econômica a longo prazo.

O cumprimento da meta fiscal será fundamental para aumentar a confiança de investidores e consumidores, podendo estimular tanto o consumo quanto o investimento, além de contribuir para um ambiente mais favorável ao crédito.

Análise dos Cortes nos Juros nos EUA

O cenário para os juros nos Estados Unidos também é motivo de atenção, uma vez que as decisões do Fed impactam diretamente o mercado financeiro global. A pesquisa revela que aproximadamente 60% dos bancos acreditam que o Fed poderá realizar dois cortes de 0,25 pontos percentuais nos Fed Funds durante 2026.

O ajuste nas taxas de juros nos EUA é muitas vezes considerado um reflexo das condições da economia americana, que, assim como o Brasil, enfrenta desafios em relação à inflação e crescimento econômico. A desaceleração da atividade econômica e do mercado de trabalho tende a forçar o Fed a adotar uma postura mais flexível.

Contudo, a expectativa de cortes nos juros deve ser acompanhada de perto, pois uma inflação persistente pode limitar a capacidade do Fed de agir com agressividade. Os movimentos nos juros americanos influenciam não apenas a economia dos Estados Unidos, mas também têm um impacto significativo nas taxas de câmbio e na confiança dos investidores em mercados emergentes, como o Brasil.