Atividade da indústria da construção tem pior janeiro em nove anos, revela CNI

Desempenho da Indústria da Construção

No início de 2026, a indústria da construção apresentou um desempenho insatisfatório, refletido no índice que mede a atividade do setor, que marcou 43,1 pontos. Este é o pior resultado para o mês de janeiro desde 2017, segundo a Sondagem Indústria da Construção realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em colaboração com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). A pesquisa foi realizada entre 2 e 12 de fevereiro e envolveu 312 empresas, divididas em 122 pequenas, 125 médias e 65 grandes.

Contexto da Pesquisa e Metodologia

A Sondagem contou com a participação de empresas de diversos portes, permitindo uma análise abrangente. O índice de atividade é crucial para entender a saúde do setor da construção civil, visto que fornece uma visão detalhada sobre a situação atual e as expectativas futuras de empresas que operam nessa área.

Impactos dos Juros Altos no Setor

Os elevados níveis de juros afetaram consideravelmente a capacidade das empresas de acessar crédito, o que tem um reflexo direto nos investimentos. Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, destaca que esse encarecimento do crédito não apenas prejudica os investimentos no setor, mas também impacta negativamente a demanda. Os altos juros levaram à redução de novos projetos, acentuando a retração observada nesse início de ano.

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Expectativas dos Empresários da Construção

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da construção civil ficou em 48,6 pontos em fevereiro, permanecendo carecendo de confiança, já que se mantém abaixo dos 50 pontos há 14 meses. Essa falta de otimismo é atribuída à percepção negativa das condições econômicas atuais e do ambiente das empresas.

Mudanças no Número de Empregados

Outro aspecto que merece destaque é o índice que mede a evolução do número de empregados, que passou de 45,7 pontos em dezembro de 2025 para 45,3 pontos em janeiro de 2026. Essa marca representa a terceira queda consecutiva do índice, indicando uma redução no nível de emprego no setor.

Utilização da Capacidade Operacional

A Utilização da Capacidade Operacional (UCO) também apresentou uma queda significativa de 3 pontos percentuais, reduzindo-se de 67% para 64%. Este é o menor nível registrado para este período em cinco anos, reforçando os indícios de um cenário desafiador para a construção civil.

Comparativo com Meses Anteriores

Em comparação com os meses anteriores, os índices de confiança e potencial de investimento mostram uma tendência de diminuição. Os dados refletem um período de adaptação difícil para as empresas, que, devido às condições atuais, encontram-se relutantes em expandir suas operações ou contratar novos funcionários.

Expectativas para os Próximos Meses

A pesquisa também revela que, apesar do desempenho negativo, os empresários mantêm alguma esperança em relação ao futuro. O índice que mede a intenção de investimentos caiu 1,7 ponto, chegando a 42,9 pontos, mas permanece acima dos 42 pontos do mesmo mês no ano anterior, sugerindo que, apesar das dificuldades, existem expectativas de recuperação a médio prazo.

O Que Esperar do Mercado Imobiliário

Diante deste cenário, a previsão para o mercado imobiliário dependerá em grande parte da estabilização da taxa de juros e da recuperação da confiança do consumidor. Se as condições econômicas se normalizarem, é provável que o setor comece a se recuperar, mas, por enquanto, a cautela está no centro das decisões de investimento.

Desafios e Oportunidades Futuras

Os principais desafios que o setor enfrenta incluem a necessidade de adaptação às novas realidades econômicas e a superação das limitações impostas pelos altos juros. No entanto, essas dificuldades também podem abrir oportunidades para inovações e melhoria na eficiência dos processos construtivos, que podem ajudar as empresas a se destacarem em um mercado competitivo.